Conteúdos sobre anorexia e bulimia voltam às redes sociais disfarçados de dicas de saúde

Por Eder Pereira 21/03/2026 às 20:30 2 min de leitura

Os transtornos alimentares voltaram a ganhar espaço na internet, mas agora com uma nova aparência. O que antes era compartilhado em blogs conhecidos como “ana” e “mia”, nos anos 2000, hoje aparece em redes sociais como Instagram e TikTok, muitas vezes apresentado como dicas de bem-estar e disciplina.

Na época, esses blogs reuniam pessoas que incentivavam comportamentos ligados à anorexia e à bulimia. Com o tempo, as páginas foram retiradas do ar e os termos passaram a ser bloqueados pelas plataformas. Ainda assim, o conteúdo não desapareceu — apenas se adaptou.

Atualmente, vídeos curtos e virais têm sido usados para divulgar práticas semelhantes. Levantamento do g1 encontrou publicações que incentivam ficar longos períodos sem comer, restringir a alimentação e até reforçar pensamentos negativos sobre o próprio corpo.

Esses conteúdos, em geral, são divulgados por perfis que aparentam falar sobre saúde e estilo de vida, muitas vezes com linguagem motivacional e estética fitness.

Especialistas alertam que houve uma mudança preocupante: em vez de serem tratados como doenças, os transtornos alimentares estão sendo apresentados como um “estilo de vida”, o que contribui para a formação de comunidades online sem controle.

Como consequência, médicos têm observado aumento no número de casos, inclusive entre crianças, além de quadros mais graves de perda de peso.

Outro ponto de atenção é o uso indevido das chamadas “canetas emagrecedoras”. Segundo profissionais de saúde, algumas pessoas utilizam esses medicamentos sem necessidade, com o objetivo de reduzir a alimentação e atingir padrões corporais extremos.

Apesar das regras das plataformas proibirem conteúdos que incentivem práticas prejudiciais, esse tipo de material ainda circula com facilidade.

Especialistas reforçam a importância de atenção, principalmente entre jovens, e defendem maior fiscalização e conscientização sobre os riscos desse tipo de conteúdo.

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