Cronologia do mega-assalto em Confresa revela prejuízo e operação desarticulada

O mega-assalto registrado em Confresa, em abril de 2023, começou a ser desenhado muito antes da execução. Segundo as investigações, o grupo criminoso investiu cerca de R$ 3,5 milhões na preparação da ação, adquirindo armamento de grosso calibre, veículos, explosivos e estruturando toda a logística necessária.
Planejamento e articulação
A organização envolveu aproximadamente 50 pessoas, entre participantes diretos e apoiadores. O financiamento, ao contrário do que se suspeitava inicialmente, não teve ligação com facções como o PCC, sendo resultado de um consórcio entre os próprios criminosos, com liderança atribuída ao suspeito conhecido como “Velho Ban”.
Execução do ataque – 9 de abril de 2023
Na data do crime, cerca de 20 criminosos fortemente armados sitiaram Confresa utilizando veículos blindados, armas pesadas e ao menos 50 explosivos. A ação seguiu o modelo de “domínio de cidades”, mas com uma abordagem considerada mais técnica e estratégica, sem uso massivo de reféns.
O alvo era o cofre de uma transportadora de valores, onde o grupo acreditava haver entre R$ 40 milhões e R$ 60 milhões.
Fracasso da operação criminosa
Apesar da estrutura e do alto investimento, o plano falhou. Um dispositivo de segurança foi acionado durante a tentativa de acesso ao cofre, liberando uma substância química que impediu a continuidade da ação e obrigou a fuga dos criminosos.
O resultado foi muito abaixo do esperado: apenas R$ 2 mil foram levados, valor encontrado em uma escrivaninha no local.
Investigações e desdobramentos
Nos anos seguintes, as forças de segurança avançaram na identificação dos envolvidos. Ao longo das operações, cinco pessoas foram presas por apoio logístico e outras 18 morreram em confrontos.
Fase final da Operação Pentágono
Deflagrada três anos após o crime, a última etapa da investigação cumpriu 27 mandados de prisão — com ao menos 15 efetivados — além de 30 buscas e apreensões e o bloqueio de 40 contas bancárias. Durante as diligências, foram apreendidos armas, celulares e computadores.
A operação encerra um dos casos mais emblemáticos da criminalidade recente em Mato Grosso, marcado pelo contraste entre o alto nível de planejamento e o retorno financeiro praticamente nulo.


