Hospital Regional de Sinop realiza neurocirurgia inédita no SUS de Mato Grosso e devolve autonomia a paciente

Por Matheus Marques 22/03/2026 às 06:46 3 min de leitura

O Hospital Regional de Sinop, unidade administrada pela Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso (SES-MT), realizou no último dia 17 de março uma técnica inédita de neurocirurgia funcional no Sistema Único de Saúde (SUS) no estado. O procedimento, conhecido como talamotomia estereotáxica, atua diretamente em áreas profundas do cérebro e é considerado de alta complexidade.

A cirurgia possibilitou uma melhora imediata na qualidade de vida de uma paciente de 58 anos, moradora de Sinop, que sofria há mais de 20 anos com tremor essencial grave, condição neurológica que pode ser incapacitante. Nos últimos anos, o quadro havia evoluído a ponto de comprometer atividades básicas, como se alimentar de forma independente.

“O Hospital Regional de Sinop demonstrou que cirurgias de alta complexidade podem ser realizadas em Mato Grosso. O mais importante é que o procedimento trará mais qualidade de vida à paciente. Voltar a se alimentar sozinha pode parecer simples, mas representa que ela vai recuperar a independência e a dignidade após muito tempo de limitação”, afirmou o secretário estadual de Saúde, Gilberto Figueiredo.

De acordo com o diretor da unidade, Jean Carlos Alencar, um dos pontos mais marcantes do procedimento foi a realização da cirurgia com a paciente acordada.

“Durante a cirurgia, a equipe médica testou em tempo real os efeitos da intervenção no cérebro da paciente. Em um dos momentos registrados em vídeo, ainda sendo operada na mesa cirúrgica, ela consegue pela primeira vez em anos levar um garfo à boca com precisão, sem o tremor que antes a limitava”, explicou.

O neurocirurgião funcional responsável pela operação, Pablo Fruett, destacou o caráter altamente especializado da técnica, disponível em poucos centros públicos do país. Segundo ele, estima-se que menos de cinco serviços do SUS realizem esse tipo de procedimento de forma regular.

“A paciente realizou desenhos durante a cirurgia que mostram o excelente resultado. Antes, os traços eram irregulares, com tremor intenso. Após a cirurgia, as linhas ficaram muito mais firmes e controladas. Esta melhora imediata é característica deste tipo de procedimento, quando bem indicado e executado”, ressaltou.

A cirurgia teve duração aproximada de uma hora e contou com uma equipe multidisciplinar formada por dois cirurgiões, um biomédico especializado em planejamento estereotáxico, dois instrumentadores, um técnico de enfermagem, uma enfermeira, um anestesista e um auxiliar de anestesia.

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