Mesmo afastado, vereador recebe salários e Câmara acumula gasto superior a R$ 200 mil

O afastamento do vereador Chico 2000 (PL), determinado no fim de janeiro durante a Operação Gorjeta, não interrompeu o pagamento de sua remuneração pela Câmara de Cuiabá. Ao longo de três meses, os valores pagos ao parlamentar e ao suplente que ocupou sua vaga ultrapassaram R$ 200 mil.
A decisão que retirou Chico 2000 do cargo foi cumprida em 27 de janeiro e previa medidas cautelares, mas não suspendia o salário. Naquele mesmo mês, ainda com atuação parcial no mandato, ele recebeu R$ 85.284,80, incluindo vencimentos e verbas vinculadas ao exercício parlamentar.
Já nos meses de fevereiro e março, período em que permaneceu integralmente afastado, os repasses continuaram, somando R$ 58.421,40, com pagamentos mensais de R$ 29.210,70.
Para suprir a vaga, o suplente Fellipe Correa (PL) assumiu o cargo em 12 de fevereiro. No primeiro mês, recebeu R$ 19.647,67. Em março, já com atuação durante todo o período, os vencimentos chegaram a R$ 38.339,04.
Enquanto isso, a Operação Gorjeta segue investigando um suposto esquema de desvio de emendas parlamentares destinadas a eventos esportivos em Cuiabá. As apurações indicam prejuízo superior a R$ 600 mil, com indícios de direcionamento de recursos e possível devolução de parte dos valores ao parlamentar.
Além do vereador, também são alvos servidores públicos, empresas, um instituto sem fins lucrativos e um empresário. Apesar de pedido de prisão, a Justiça optou inicialmente por medidas cautelares, como afastamento do cargo, restrições de contato e bloqueio de bens.
Na quarta-feira (1º), a Quarta Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso revogou o afastamento de Chico 2000 por decisão unânime. O retorno ao cargo, no entanto, ainda depende de comunicação oficial ao Legislativo municipal.
O caso atual não é isolado. Em 2025, o parlamentar já havia sido afastado durante a Operação Perfídia, que investigou suspeitas de propina em obras públicas. Na ocasião, ele retomou o mandato meses depois, também por decisão judicial.
Com a nova determinação do Tribunal de Justiça, Chico 2000 está liberado para reassumir o cargo, enquanto as investigações continuam em andamento.


