Procon-MT identifica produtos femininos até 50% mais caros em Cuiabá

Por Eder Pereira 09/03/2026 às 17:15 2 min de leitura

O Procon-MT, ligado à Secretaria de Assistência Social e Cidadania (Setasc), divulgou nesta semana que produtos equivalentes destinados a mulheres podem custar até 50% a mais do que as versões masculinas em lojas de Cuiabá. A diferença, conhecida como “Taxa Rosa”, foi observada em itens como lâminas de barbear, mochilas e estojos escolares.

O levantamento, realizado durante fevereiro de 2026, analisou 74 produtos equivalentes (37 femininos e 37 masculinos) em 12 estabelecimentos comerciais da capital. Entre os casos com maior variação de preço estão:

  • Recarga de lâminas de barbear feminina: 51,12% mais cara;

  • Mochila escolar rosa “Poli Stich”: 30% mais cara que a azul;

  • Estojo elástico escolar feminino: 20% mais caro que o masculino.

Segundo a secretária adjunta do Procon-MT, Ana Rachel Pinheiro Gomes, a prática de cobrar preços maiores por produtos destinados às mulheres ocorre principalmente em itens de higiene pessoal, vestuário, acessórios, brinquedos e produtos infantis. Ela alerta que março, mês do Dia Internacional da Mulher e do Dia Mundial do Consumidor, é o momento ideal para conscientizar a população sobre consumo consciente e práticas abusivas.

O órgão notificará fabricantes e fornecedores para esclarecer os critérios de precificação. Conforme explica o superintendente do Procon-MT, Ivo Vinícius Firmo, a diferenciação de preços só é considerada legal se houver justificativa técnica ou econômica, como diferenças de materiais, tecnologia ou custos de produção. Sem essas explicações, a prática pode configurar vantagem excessiva ou discriminação injustificada, conforme o Código de Defesa do Consumidor.

O levantamento identificou 13 produtos com diferença de preço, representando 17,57% da amostra, com diferença média de 18,12%. Muitos produtos tinham mesma funcionalidade, e as alterações eram principalmente estéticas, como cor ou design.

O Procon-MT reforça que consumidores devem ficar atentos e denunciar casos suspeitos, garantindo maior transparência e equilíbrio no mercado.

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