SUS amplia uso da doxiciclina para prevenção de sífilis e clamídia

Por Camila Almeida 12/03/2026 às 18:30 3 min de leitura

O Ministério da Saúde do Brasil decidiu ampliar o uso do antibiótico Doxiciclina no Sistema Único de Saúde para prevenção de sífilis e clamídia, duas infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) causadas por bactérias.

A decisão foi publicada nesta quarta-feira (11/03) no Diário Oficial da União. Com a mudança, o medicamento passa a integrar as estratégias de profilaxia pós-exposição (PEP), método utilizado após situações de risco para evitar o desenvolvimento de doenças. O SUS terá até 180 dias para organizar a oferta do antibiótico nesse formato.

A ampliação do uso da doxiciclina foi recomendada após análise técnica da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde. O uso do medicamento seguirá critérios definidos em protocolo clínico e diretrizes terapêuticas estabelecidos pelo sistema de saúde.

Prevenção continua sendo fundamental

Mesmo com a nova estratégia, especialistas reforçam que as principais formas de prevenção das ISTs continuam sendo:

  • uso de preservativos nas relações sexuais

  • testagem regular

  • diagnóstico precoce

O que é a sífilis

A Sífilis é causada pela bactéria Treponema pallidum e tem cura. O tratamento padrão é feito com penicilina benzatina, medicamento disponível nas unidades de saúde. A infecção pode ser transmitida por relações sexuais sem preservativo ou da mãe para o bebê durante a gravidez ou no parto, situação conhecida como transmissão vertical.

O principal sintoma inicial é uma ferida única no local de entrada da bactéria, que pode surgir entre 10 e 90 dias após o contágio. Essa lesão, chamada de cancro duro, geralmente não dói, não coça, não arde e não apresenta pus. Mesmo desaparecendo após alguns dias, isso não significa que a infecção foi curada.

O que é a clamídia

A Clamídia afeta principalmente os órgãos genitais, mas também pode atingir garganta e olhos. A transmissão ocorre por contato sexual (anal, oral ou vaginal) ou de mãe para bebê durante a gestação.

Na maioria dos casos, a doença não apresenta sintomas, o que dificulta o diagnóstico precoce. Quando surgem, os sinais mais comuns são:

Nas mulheres:

  • corrimento amarelado ou claro

  • sangramento espontâneo ou durante a relação sexual

  • dor ao urinar

  • dor durante a relação sexual ou no baixo ventre

Nos homens:

  • ardência ao urinar

  • corrimento uretral com pus

  • dor nos testículos

A ampliação do uso da doxiciclina no SUS busca reduzir a transmissão dessas infecções e fortalecer as estratégias de prevenção no país.

*Sob supervisão de Gene Lannes

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