Facção tentou criar “complexo” em VG, diz delegado

A Polícia Civil de Mato Grosso revelou que uma facção criminosa tentou transformar um conjunto habitacional de Várzea Grande em uma espécie de “complexo”, com regras próprias e atuação organizada de integrantes responsáveis pela disciplina interna.
A informação foi divulgada pelo delegado Antenor Júnior Pimentel Marcondes, durante coletiva de imprensa sobre a Operação Ruptura CPX, que tem como alvo um grupo criminoso atuante na região metropolitana de Cuiabá.
Segundo o delegado, apesar da tentativa de organização territorial, não há áreas no Estado onde a polícia não consiga atuar. Ainda assim, o caso acendeu um alerta para a possível expansão estratégica das facções em Mato Grosso.
As investigações apontam que o grupo buscava exercer influência direta sobre moradores do Complexo Residencial Isabel Campos e bairros próximos, com controle de informações e repasse de orientações, inclusive sobre a presença policial.
De acordo com a apuração, havia integrantes responsáveis pela chamada disciplina, que atuavam na mediação de decisões dentro da comunidade, incluindo situações relacionadas à permanência de moradores no local.
Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi a atuação da facção em crimes menos comuns ao perfil tradicional, como o furto de defensivos agrícolas.
A Polícia Civil também apura o uso da música como ferramenta de promoção do grupo criminoso, com investigação envolvendo um artista que, segundo o delegado, teria ultrapassado os limites da manifestação artística.
A Operação Ruptura CPX cumpre 13 mandados de prisão preventiva e sete de busca e apreensão nos municípios de Cuiabá, Várzea Grande e também em São Paulo.
As investigações são conduzidas pela Gerência de Combate ao Crime Organizado e pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado e seguem em andamento para identificar todos os envolvidos e aprofundar as apurações.


