Polícia Civil deflagra Operação Arpão contra lavagem de dinheiro ligada a facção em MT

A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta terça-feira (10.3), a Operação Arpão, com o objetivo de desarticular um grupo criminoso investigado por lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio ligado a uma facção criminosa.
A ação cumpre ordens judiciais expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo de Garantias de Cuiabá. Ao todo, são executados 18 mandados de busca e apreensão, além de medidas cautelares diversas da prisão e sequestro de imóveis e veículos de alto padrão utilizados pelo grupo.
Os mandados são cumpridos nas cidades de Cuiabá, Chapada dos Guimarães e Barão de Melgaço. Entre os alvos está um integrante apontado como operador financeiro da facção criminosa e ligado diretamente ao criminoso S.L.Q.A., conhecido como “Dandão”, considerado uma das lideranças do grupo no estado.
As investigações são conduzidas pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) de Cuiabá. Durante as apurações, foram identificadas estratégias típicas de lavagem de dinheiro, como o registro de bens em nome de terceiros, movimentações financeiras fracionadas e o uso de pessoas interpostas para ocultar a origem ilícita dos recursos.
A operação integra o planejamento estratégico da Polícia Civil de Mato Grosso para 2026, dentro da Operação Pharus e do programa Tolerância Zero, voltado ao combate às facções criminosas no estado.
Mecanismos de lavagem
O principal alvo da operação é W.A.F., conhecido como “Tubarão”, que possui vínculo familiar com o líder da facção, “Dandão”. Segundo as investigações, ele atuava no gerenciamento e na ocultação de recursos provenientes de atividades ilícitas.
De acordo com a Polícia Civil, o investigado utilizava mecanismos para lavar dinheiro, entre eles o uso de familiares e pessoas próximas como “laranjas”, responsáveis por registrar bens e movimentar valores com o objetivo de dissimular a origem criminosa do patrimônio.
Esposas, parentes e integrantes do círculo próximo do grupo aparecem como proprietários formais de veículos e imóveis de luxo. Na prática, porém, os bens eram utilizados e controlados pelos investigados, dificultando a vinculação direta do patrimônio aos suspeitos.
A compra de bens de alto valor também era utilizada como estratégia para transformar o dinheiro ilícito em patrimônio aparentemente legal. Entre os bens identificados na investigação estão imóveis e veículos avaliados em mais de R$ 500 mil.
A apuração também identificou movimentações financeiras consideradas atípicas, como transações fracionadas, depósitos em dinheiro e pagamentos de alto valor em curto período, o que reforça os indícios de ocultação e dissimulação de patrimônio.
Medidas cautelares
Com base nos elementos reunidos durante a investigação, o delegado Antenor Junior Pimentel Marcondes representou pelas ordens judiciais com o objetivo de impedir a dissipação do patrimônio suspeito e garantir eventual ressarcimento ao Estado.
“O foco da operação é aprofundar a apuração sobre a origem dos recursos e comprovar os crimes antecedentes que teriam gerado os valores utilizados na aquisição dos bens”, explicou o delegado.


